sábado, 27 de agosto de 2016

[MÚSICA] Análise: Criolo - Ainda Há Tempo (2016)



O rap brasileiro sempre foi um estilo musical que eu curtia de forma transversal, nós nunca tivemos uma relação muito próxima mas, quando nós nos encontrávamos esporadicamente havia sempre uma agradável surpresa. Algumas belas faixas do Trilha Sonora do Gueto e Racionais MC's me mostravam do que o verdadeiro cenário hip-hop brasileiro era capaz de criar.

Tive meu primeiro contato com o trabalho do Criolo com as músicas "Não Existe Amor em SP" e "Subirudoistiozin" em meados de 2011 e logo de cara admirei a qualidade da música, da mensagem do estilo que o MC/Cantor de MPB entrega em suas performances. O relançamento de Ainda Há Tempo (Álbum originalmente lançado em 2006) com uma roupagem mais moderna mas sem perder sua essência trás em suas oito faixas músicas que ainda se mantém reais na sociedade brasileira como um todo.

O trabalho como um todo trás o que o Criolo sabe muito bem fazer: um rap crítico e transparente que trás em suas rimas os relatos, dificuldades e aprendizados de quem cresceu na favela mas não tem vergonha dela ao contrário, deixa claro que pobreza não é derrota e que o amor e o respeito são a base de tudo. Destaque para as faixas "Chuva Ácida" que tem toda uma preocupação com o meio ambiente e por ironia do destino parece ter sido feita para a tragédia em Mariana; "Vasilhame" que trás uma mensagem que foca nos perigos do álcool e de outras drogas e por fim a faixa que leva o nome do álbum "Ainda Há Tempo" que começa lenta e vai e vai evoluindo como uma marcha carregando na letra uma mensagem de positividade, reflexão e fé e ainda tem de longe o melhor refrão do trabalho todo.


Ainda Há Tempo é um trabalho daqueles que, para quem curte rap é um prato cheio e para quem ainda não curte é uma bela entrada nesse universo rico de rimas e o melhor de tudo, pode ser ouvido na íntegra no Youtube ou até mesmo baixado no site oficial do artista.

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